24 de abril de 2003

25 DE ABRIL SEMPRE

Nota Introdutória para os amigos brasileiros: comemora-se hoje a revolução pacífica que transformou Portugal de país provinciano no cu da Europa, num país provinciano no cu da Europa. A diferença é que eu hoje posso escrever isto sem ser preso.
Compreendo que isso possa parecer uma questão histórica para a maioria dos que me lêem. Ou de somenos importância. Eu também ouvia impacientemente a minha avó falar da fome terrível que tinha assolado uma grande parte da população durante as décadas de 30 e 40. Ela contava-me isto ao lanche. E eu, com os olhos pregados na televisão única de todos os portugueses, fingia que a ouvia. Nem sequer me dava ao trabalho de fingir que percebia do que estava a falar.
Por isso, entendo os que não sentiram a alegria dos adultos na rua; os que não viram a maneira como as pessoas se abraçavam e saudavam sem nunca se terem visto antes. Eu vi e ouvi. Mesmo se só hoje isso faz para mim um completo sentido. Não tem a ver com direitas e esquerdas. Claro que quem teve de fugir para o Brasil com as jóias cosidas na baínha das saias é capaz de sentir ressentimento...
Mas, não reconhecer que foi a partir desse dia que Portugal se tornou um país com esperança é, no mínimo, tolice.

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